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Artigo completo

Há cinco anos, SGLT2 era assunto de endocrinologista. Hoje, é uma das classes mais relevantes para o cardiologista — independentemente da glicemia. As atualizações recentes das diretrizes de insuficiência cardíaca, doença renal crônica e prevenção secundária reorganizaram onde a classe entra na conduta.

Introdução
O insight da semana

SGLT2 não é mais um antidiabético com benefício cardiovascular. É um cardiorrenal modificador de prognóstico que, por acaso, baixa glicose.

Diretriz em 5 linhas
Checklist — antes de iniciar SGLT2
  • TFG ≥ 20 mL/min, respeitando indicação e bula.
  • Volemia controlada.
  • Ajustar diurético se houver hipovolemia.
  • Discutir efeitos adversos, incluindo candidíase genital e sintomas urinários.
  • Orientar suspensão temporária em jejum prolongado, cirurgia ou doença aguda.
  • Reavaliar creatinina e potássio em 2–4 semanas.
  • Se diabético em insulina ou sulfonilureia, revisar risco de hipoglicemia.
Imagem cardiovascular
Leitura recomendada
  • Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca, SBC 2024.
  • ESC Guidelines for Heart Failure, 2023 focused update.
  • KDIGO 2022 — Diabetes Management in CKD.

Caso clínico

Homem, 64 anos. Insuficiência cardíaca com fração de ejeção de 35%, classe funcional II da NYHA. Em uso há 6 meses de sacubitril-valsartana 97/103 mg 2 vezes ao dia, carvedilol 25 mg 2 vezes ao dia e espironolactona 25 mg ao dia — todos otimizados. Sem diabetes, com HbA1c 5,8%. Pressão arterial 118/72 mmHg. Creatinina 1,4 mg/dL, TFG 52 mL/min. Sem internações no último ano.

Ele se beneficia de iniciar um inibidor de SGLT2?

Sim. Em HFrEF, a quad-terapia tornou-se o esquema de base: bloqueador do SRAA ou sacubitril-valsartana, betabloqueador, antagonista mineralocorticoide e inibidor de SGLT2. O benefício é independente de diabetes. A TFG de 52 mL/min está confortavelmente acima do limite usual de início para empagliflozina ou dapagliflozina nas indicações de insuficiência cardíaca. Iniciar com dose padrão, reavaliar volemia em 2 semanas e função renal em 2–4 semanas.

“A pergunta correta não é mais ‘tem indicação?’. É ‘por que ainda não foi iniciado?’.”

Saiba mais: IA em cardiologia

Há linhas ativas de pesquisa usando inteligência artificial para identificar respondedores e não-respondedores a inibidores de SGLT2, combinando ECG, ecocardiografia, biomarcadores e fenótipo clínico. Por enquanto, essas ferramentas permanecem em validação e não devem substituir a decisão clínica.

IA assistida, sempre revisada — nunca automática.

Na prática atual, o melhor preditor de benefício ainda é a indicação clínica clara: insuficiência cardíaca sintomática ou doença renal crônica progressiva, sem contraindicação.

Checklist — antes de iniciar SGLT2
  • TFG ≥ 20 mL/min, respeitando indicação e bula.
  • Volemia controlada.
  • Ajustar diurético se houver hipovolemia.
  • Discutir efeitos adversos, incluindo candidíase genital e sintomas urinários.
  • Orientar suspensão temporária em jejum prolongado, cirurgia ou doença aguda.
  • Reavaliar creatinina e potássio em 2–4 semanas.
  • Se diabético em insulina ou sulfonilureia, revisar risco de hipoglicemia.
Leitura recomendada

Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca, SBC 2024.

ESC Guidelines for Heart Failure, 2023 focused update.

KDIGO 2022 — Diabetes Management in CKD.

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